sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O que reflete a alma - ensaio sobre as gratuidades

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Parte 2 - do ódio

O ódio mata, dizem os orgulhosos. O ódio mata, dizem os vaidosos. O ódio mata, dizem os egoístas. O ódio impulsiona, dizem os que amaram demais. O ódio faz perguntas sem respostas.
O ódio nada mais é do que uma admiração cúmplice e testemunha do amor. A inveja é o resultado. A morte é opcional.

Odiamos quando não entendemos. Odiamos quando não absorvemos a admiração alheia. Odiamos quando não conseguimos sair do lugar. O ódio gera preconceito. Preconceito é medo. Medo do desconhecido. Seria o ódio ainda um desconhecido?

Antagonista ou arquiteto do amor? Planejador de sonhos. O sonho de deixar de sentir esse ódio ou o plano de destruir quem você odeia? O ódio é opcional. E é necessário. Para que, dentro das lições, das colheitas, das plantações e dos resultados, possamos transformá-lo em desprezo primeiramente, depois em piedade e por fim, em amor. Amor próprio suficiente para não sentir mais esse ódio que você escolheu sentir de alguém, de algo ou de alguma situação.

Quem te odeia normalmente ignora a razão de tantos te amarem.
Quem você odeia precisa do seu amor próprio para aprender.

O que te faz odiar? Você odeia tudo aquilo que você inveja.
O ódio é a inveja mascarada.
O amor é a admiração silenciosa.
O ódio te faz amar. Mesmo que você não queira. No fim, em mil anos, o ódio terá se transformado em amor. Porque um depende do outro.

Do que você depende?


sábado, 26 de novembro de 2016

Da Reca

"BOM QUERIDO DEUS!

Aqui estou no hospício, sozinha com o coração em mil pedaços,
Acho que não fiz nada na vida que fosse digno de orgulho,
Bom acho que talvez eu
Tenho que me reinventar, começar de novo, sentir novas emoções..."



Bilhete escrito no último dia da minha internação, por uma amiga que também se chamava Regina.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Sobre saber que se é...

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... e tudo que eu mais quero nessa vida é você...



Sou eu, a piada do ano, do século, do milênio.
Sou eu, que acredita que sozinha pode conseguir mudar o mundo. Pelo menos o mundo de alguém.
Sou eu, vigiada, observada, julgada, sentenciada, ironizada, falada.
Sou eu, que tento arduamente buscar a paz e a liberdade, e hoje me encontro presa dentro do que as pessoas acham que eu deveria fazer.
Sou eu. Prisioneira de mim mesma. De um mundo cruel. De um mundo doentio. De um mundo horroroso.
Sou eu. Que encontrei o amor. O amor de Deus, o amor próprio e achei que encontrei algo que não buscava mais.
Sou eu. Que tenho o corpo deformado mas a alma boa. Que sou o fruto podre e fácil de ser coletado, por estar no chão e de fácil acesso. 
Sou eu. Aquela que tenta ajudar a dar soluções pra pessoas que não querem soluções.
Sou eu. Que não tem mais amigos porque todos decidiram sair da minha vida. Os que ficaram, tentam ter paciência com esse 'eu'.
Sou eu. Frágil. Boba, sem autoestima nenhuma. De um humor infantil, periférico, marginalizado e ácido.
Sou eu. Que ama fotografia mas não consegue a admiração de quem eu mais admiro. Nem quando peço.
Sou eu. Que tenho pavor de símbolos materiais que demonstrem uma conquista espiritual e agora carrego no pescoço a vergonha de ter feito isso.
Sou eu. Sim. Sou eu. Que escolheu não guardar datas comemorativas pra não ter que chorar pelo resto da vida nos dias que eu achei que era feliz e não era. 
Sou eu. Que não sei amar como as outras pessoas. Que acho que o amor verdadeiro são aqueles 10 minutos de oração diárias, ou aquelas poucas horas dedicadas a quem sofre mais que eu.
Sou eu, aquela que centenas de pessoas hoje querem decidir o destino. Destino esse que nem eu sei o que quero.
Sou eu. Que não sou loira, não tenho o corpo perfeito, os seios a mostra em público, o talento de cantar num palco, o amor da sua família, a admiração no meu trabalho. Eu achei que fosse o Sol no seu coração. Me desculpe.

Sou eu. Uma viajante. Que quer explicações, mas que não sabe pedir. Não mais. 
Meu amor não pede. Meu amor não prende. Meu amor não ostenta. Meu amor apenas quer paz. 







quinta-feira, 6 de outubro de 2016

21st Century

Soundtrack: here


Fat
Phat
Free
Face
Book
Freedom
Random
Trust
Choices
Losses
Profits
Assets
Family
For God
Old
Infertile
Soulful
Good
Mad
Jealous
Poor
Fat
Phat
Lucky
In love
Always





sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O que reflete a alma – ensaio sobre as gratuidades

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Parte 1.

Do amor: O amor te leva ao paraíso, dizem os religiosos. O amor te mata, dizem os poetas. O amor te liberta, dizem os sábios. O amor constrói, dizem os otimistas. Ah, o amor. Que nada mais é do que um punhado de respeito, uma constante admiração pelo próximo e uma confiança que ultrapassa os limites da razão. Os anos não são contados. A idade pouco importa. Falemos da gratuidade do tempo. O tempo que você precisa pra amadurecer e encontrar algum sentido real na vida. Alguns levam mais tempo. Outros menos. Depende do que busca, do que enxerga lá na frente, do que se quer nesse momento. Nesse momento do tempo. O amor que você deposita em tudo que faz, dentro do tempo de vida que tem. Seja o que for. Onde for. Com quem for. A gratuidade da alegria de se sentir o outro. A gratuidade e o valor de um abraço, quando o que você mais precisa é de um abraço. Um copo d´água para o sedento.

Esse tal amor divino. Esse que me dá chances e chances de melhorar. Dentro de cada tempo que me é dado. De que já me foi dado. De que será dado. Gratuitamente. Esse amor que eu acredito não ser tirano, não me julgar, não exigir de mim, em apenas um punhado de anos de uma só vida, a perfeição. Que me oferece oportunidades de aprender em outros planos do espírito, que não tenta me convencer de que a outra vida é um eterno ócio, onde a única função é deitar e ouvir anjos cantando ao meu redor. Não. Isso não é progresso. Se eu tenho apenas esse tempo de agora, dentro desse corpo, me desculpe, não chegarei à perfeição divina. E não acredito que em estado moribundo, se eu olhar pra cima e disser eu aceito Deus, tudo o que tiver feito em degradação do próximo será perdoado, e eu imediatamente me tornarei um anjo celestial. Não. Isso pra mim não faz sentido. O amor te reforma, te consola, te da chances e chances de evoluir. O amor, a energia cósmica, o universo inexplicável. Somos todos seres criados pelo mesmo criador. Que fez um universo inteiro dentro de nós, um micro universo. E nós, células desse mundo, moléculas que fazem o corpo terrestre se movimentar, precisamos amar, para que esse planeta consiga sobreviver. Precisamos ser as células boas que impedirão que as células em neoplasia matem o amor de Deus. O amor que nos foi dado dentro desse nosso tempo de agora.

Amamos quando respeitamos o nosso tempo, consequentemente o tempo do outro. Amamos quando admiramos o que o outro faz no tempo dele, amamos quando confiamos que o tempo dele te respeita e te admira.

Amamos quando doamos o nosso tempo. Não é a igreja que te salva. É a caridade que te salva. O que é a caridade senão a maior prova de amor? Você é caridoso quando entende os limites humanos e não exige mais do que os seus limites podem te oferecer.

Amamos quando olhamos para cada criatura desse mundo, em todos os seus reinos, e entendemos que tudo existe em nós também. Que o ferro, o fósforo e o potássio na natureza também estão dentro do nosso organismo. Somos seres criados da mesma forma, com os mesmos elementos. O amor de Deus ao homem é a capacidade de raciocínio. Raciocínio esse que foi nos presenteado para que soubéssemos lidar com todos os nossos sentimentos através da razão, da lógica e da clareza. Pra que assim, depois de racionalizada, possamos entender em toda sua lógica e razão, o que é o amor.

O amor reflete como um espelho. Nos meus espelhos, eu mostro a minha alma. Que é a única coisa que posso oferecer ao mundo. Meu corpo não cabe dentro dos padrões dos corpos que são amados. Mas a minha alma é.
O amor traz paz. Sempre.
Se não te traz, não é amor.
É apenas o seu orgulho esperando algo que ainda não passou pela sua razão.
Mas vai passar. Não se preocupe. O tempo é sábio e é gratuito. Preencha-o de amor.


Seja qual for a sua forma de amar.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

De um quase, um tudo

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Dessa vez vou falar sem falar.
Dessa vez vou preservar o máximo que puder, que conseguir. Esconder não é a palavra, afinal não há nada de errado. Apenas a necessidade de manter a discrição, de ter segredinhos e manter a vida mais alegre.
Dessa vez é em paz.
Dessa vez é uma coisa só nossa. Não é mais de acesso aos interessados pela vida alheia. Não é mais como sempre foi.
Dessa vez será em silêncio.

Dessa vez será.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Das renovações – quando até as raízes mudam

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Quando o inverno chegou, com ele veio uma avalanche de resoluções. O outono levou consigo todas as dúvidas do que era certo ou errado fazer comigo mesma. E resolvido tudo, o caminho foi aberto. E a única coisa que importava (e ainda importa) é a renovação. As renovações. De sentimentos, de sonhos, de desejos e de foco. Foi a hora que minha vida se tornou ardilosa, e assim, do nada, um túnel se abriu e me levou de volta a um período em que os sonhos eram leves, tais como os sentimentos, os desejos e os focos.

E eu me renovei. E de novo, voltando a mim mesma. E de novo, estava perto de mim, só eu não enxergava. Dessas coisas irônicas da vida.

Uma parte de mim, aquela esquecida, se renovou. Outras, claro, se mantém firmes. O objetivo continua o mesmo – não fazer mal a ninguém. O sonho de ter uma alma livre de apegos desnecessários também. O foco, a caridade e o aprendizado. Contudo, o desejo agora é estar dentro de um abraço. O sentimento se renovou de tal forma, que a leveza é insustentável.




segunda-feira, 20 de junho de 2016

Da palavra

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Algumas horas antes d’ela seguir caminho, ela escreveu sua última palavra – resiliência.

Ela, genial como sempre foi, resumiu todo o passado, o momento presente e seu futuro eterno em uma única palavra. Nada representa melhor o que ela fez. E toda a mensagem que ela quis deixar ficou nessa única palavra. Foi isso que ela deixou pra nós. Uma palavra.

Desde então, passei a procurar a minha palavra. Revirei livros, cadernos, notas, coisas da época da faculdade. Achei algumas, chorei com outras, amei a maioria. Mas, como tudo na vida, não é procurando que se acha. Você simplesmente tropeça naquilo que você precisa. As coisas aparecem e acontecem na hora certa. E foi assim, desse jeito que ela apareceu. 

Grata por ser de um idioma que faz parte das minhas raízes. Grata por ela ter saído do coração de alguém que me ama incondicionalmente. Mais grata ainda por eu ter finalmente entendido o que ela significa. E eu a ouvi desde o dia que nasci.

As coisas que precisamos estão todas ao nosso redor, perto da gente. Contudo, só as reconhecemos no momento certo, na hora que estivermos prontos pra entender.
Essa palavra resume o que eu vim aprender aqui. Nesse mundo, nessa vida. E é isso que eu vou deixar todas as vezes que tiver que seguir caminho.


“GANBATTE”

sábado, 4 de junho de 2016

Do meu último ano - do meu coração rebelde

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Ouvi Chandelier da Sia todos os dias. Religiosamente. Por quê? Não sei. Só sei que ouvi. Sissy that walk da RuPaul foi a música que eu ouvi todos os dias pela manhã, exceto no período que morei fora. Lá eu ouvia o que os outros estavam ouvindo. Era hora de conhecer coisas novas.
Foi o ano de Rebel Heart e de chorar ouvindo True Blue ao vivo depois de tantos anos.

Foi o ano de Cate Blanchet e sua magnífica Carol. Não houve filme mais lindo que esse.
Foi o ano de Homeland, sem dúvidas. Com duas temporadas arrebatadoras, depois de um final incerto na terceira temporada. Carrie Mathison é ainda a personagem feminina de séries ‘modinhas’ mais forte, mais humana e consequentemente, mais complexa.
Foi o ano de Rainhas. Drag queens. Ano de Bianca del Rio e Violet Chachki. De Bob The Drag Queen e Chichi Devayne. De autoestima e amor próprio. Coisas que se aprendem quando você entra num universo tão rico, tão cheio de vida e alegria, tão cheio de arte, mas que noventa por cento da humanidade marginaliza, ridiculariza e se envergonha.

Foi o ano de Paulo e Estevão. De uma leitura que machuca a alma e ao mesmo tempo te levanta de qualquer lamaçal que tenha se enfiado.

Das estradas, claro, todas rumo ao Sul. Todas que me levaram à vida que eu escolhi ter de vez em quando. Que me levaram ao mate, à fogueira, ao amor livre e ao direito de ser quem você quiser ser. Eu era uma babá. E também muitas outras coisas que não convém citar aqui.
Ano das águas geladas do Uruguai, e ano das águas mornas do litoral paulista. Foram nove praias no total. Algumas montanhas e todos os nasceres e pores de Sóis possíveis e imagináveis.
Foi o ano de começar em uma escola de idiomas na Augusta. Foi o ano de largar tudo (de novo), aceitar um trabalho em Punta del Diablo e descobrir intimamente as belezas do Uruguai. E da Alemanha, da Turquia, da Espanha , da Holanda, e principalmente da Argentina. Tinha o mundo inteiro se reunindo todas as noites em volta da fogueira pra contar histórias. Voltando pras minhas terras, vivi. Tudo o que quis. Largaria tudo de novo pra viver tudo isso de novo. Nunca me abandonarei atrás de uma mesma mesa por anos e anos, estagnada e sonhando com uma vida que eu nunca vou ter. Nunca me deixarei dentro de um aquário observando o mundo que passa a minha frente. Nunca permitirei que o comodismo me impeça de viver. Nunca permitirei que os meus sonhos sejam podados pelos sonhos dos outros.

Foi o ano da paz e da leveza do perdão. Paz essa conseguida em trabalhos comunitários, em trabalhos de amor e uma tentativa (ainda que um pouco falha) de altruísmo. Paz essa conseguida depois de entender que do nada a gente pode deixar esse mundo. Então que sejamos os mais honestos que pudermos e que consigamos olhar um pouco pra fora do nosso próprio umbigo. Foi o ano da alimentação saudável e da tentativa de uma vida saudável. Nem tanto, nem sempre. Mas tentei.
Começo meu novo ano sem chefe, sem horário fixo, sem crachá. Livre das corporações, hoje trabalho com moda – mas prometo não me tornar fútil. Começo dando algumas aulas particulares, palestrando, fazendo consultorias, traduções, academia, crochê e sexo de vez em quando. 

Recomeço algumas parcerias perdidas com o tempo.

Já com duas viagens agendadas, começo redescobrindo estradas, mares e céus. Com algumas paixões no peito, vou levando a vida tentando não machucar ninguém. Principalmente a mim mesma.

Fotografei e continuarei fotografando. Sempre. Até o próximo ano. 

E que, de novo, ninguém me tire de mim.

domingo, 15 de maio de 2016

Das permissões

Sei que se há qualquer indício de negativismo nesse momento provém de um sentimento egoísta, de um ser humano comum que não aceita perder. Também sei que um dia essa dor vai passar como já passou em outras situações parecidas com essa, em que o dia de amanhã parecia não chegar. Chegou. Passou. A vida volta. Sempre. A morte é e sempre será apenas parte da nossa existência.

Já tenho conhecimento suficiente pra entender isso. Hoje em dia, minha fé inabalável me dá o conforto e a certeza de que não há motivos pra chorar.
Mas eu me permito sentir. Tudo o que for necessário. Lembrar-me de você é rir, chorar, rir de novo e chorar de novo. Não conseguiria contar quantas vezes você me fez rir. Quantas vezes você me escutou. Quantas vezes você voltou das suas viagens com uma caixa de presentes pra mim. Não conseguiria dizer qual o melhor passeio, a melhor comida, o pior mico, a pior música que cantamos nos karaokês. Nem se passasse o resto da minha vida tentando lembrar tudo eu conseguiria. Porque você entrou na minha casa ainda adolescente. E cresceu do meu lado. E mesmo quando o destino não quis mais que você fosse da minha família, você continuou lá.

Que privilégio ter te conhecido. Quantas lições que você deixou. O sarcasmo e a ironia incomparáveis. O humor ácido que me fez te admirar cada dia mais.

Eu me permito chorar. De saudades. De pena de mim mesma. Porque eu sei que vamos nos reencontrar, mas até lá vou ter que viver num mundo um pouco mais vazio e sem graça. Sem a sua risada alta. Sem seu ombro solidário pro meu coração egoísta encostar.

Eu me permito agradecer. Por ter te conhecido.
Eu me permito dizer que te amo.
Não me permitirei jamais dizer adeus. Apenas um até logo.
Nada é nunca mais.


Débora Parisi 
07/12/83 - 14/05/16



quinta-feira, 31 de março de 2016

Sobre o céu

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Naquela manhã chuvosa, sentada na areia esperando o sol nascer, alguém me perguntou o porquê da minha fascinação pelo sol se pondo e nascendo, a ponto de chorar ao ver um céu laranja. “É pra ter a certeza que o mundo realmente dá voltas.” A voz se silenciou e me silenciou. Ficamos os dois assim, em silêncio até ter a certeza que a chuva não nos deixaria ver mais um espetáculo subindo do mar. Voltamos para casa. Para a rede, para o livro e para o café.

O verão chegou ao fim, o silêncio se encerrou. O outono trouxe suor. Ninguém consegue suar calado. O calor intenso foi substituído pelos ventos gelados da madrugada e eu precisei partir.
Para um viajante, partir e voltar se confundem. Ir não é deixar. Levar é trazer. Buscar é deixar ir. Voltar é sagrado. Partir é necessário.

Voltei. Muito mais que geograficamente. Voltei para uma parte de mim, esquecida, deixada e partida. Voltei para fazer apenas aquilo que eu gosto, desde a hora que acordo até a hora de me deitar. Voltei para me recusar a fazer qualquer coisa que não seja extrema e absolutamente da minha vontade. Voltei para não me entregar a nenhuma instituição, a nenhum grupo, a nenhum lado. Voltei para comprovar que ter escolhido ser viajante na vida valeu a pena. Viver para isso. Ganhar dinheiro para isso. Respirar isso.

Voltei pra deixar bem claro que a minha escolha é ser. 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Sobre 2015

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Que cada passo que tenha dado, tenha encontrado um pouco mais de paz.
Que a cada abraço que tenha recebido, tenha me preenchido com um pouco mais de luz.
Que cada verbo ensinado, seja multiplicado.
Que cada situação difícil que eu tenha passado, tenha me ensinado a refletir.
Que cada ser que eu conheci, seja um companheiro para o progresso e a evolução.
Que cada dor que tenha sentido, seja mais um motivo pra valorizar o meu corpo.
Que cada sorriso que tenha dado ou recebido, tenha me ajudado voltar a acreditar um pouco mais no ser humano.
Que cada centavo que tenha recebido, tenha sido justo e honesto.
Que cada vez que eu consegui perdoar a quem eu julguei ter me feito mal, eu tenha conseguido perdoar, um pouco mais, a mim mesma.
Que 2016 seja repleto de amor.
Que ninguém me tire de mim.


Que assim seja.

domingo, 15 de novembro de 2015

Notas do coração: do jardim

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Parada, olhando para aquelas flores que acabavam de florescer, naquele jardim onde sentou e pensou ao longo do ano todo e observou as mudanças de cores, de cheiros, de horas e de pessoas. Sabia que de tudo que deixava pra trás, aquele jardim seria um dos lugares de que mais sentiria falta. Salvo algumas pessoas da sua família e algumas criaturas gentis do seu convívio, nada mais importava. A falta de vida do ser humano ao seu redor lhe deu o impulso de viver. Nada acontece por acaso.
Ele se aproximou e perguntou seu nome. Ela preferiu não responder. Ele insistiu e ela disse um nome qualquer. Não o seu. Ele perguntou o que ela fazia. Por impulso, quase respondeu. Mas sabia que não era mais aquilo. Respirou fundo e disse: ‘sou viajante’. Ele sorriu e se afastou até desaparecer de sua vista. Ela elevou seu pensamento, olhou para as flores e disse ‘adeus’.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Das minhas experimentações nunca bem compreendidas

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Foi um ano de vias públicas. Um ano inteiro, de primavera a primavera. De outubro a outubro.  De uma vida a outra. Experimentei dar a liberdade para opiniões e críticas a uma atividade que tem, gratuita e diariamente, satisfeito minha vontade de me expressar sem usar muitas palavras. Talvez para contrabalancear meus textos e textos e textos sobre grandes nadas da humanidade meio doentia que habita esse planeta. 
Talvez.

Ganhei dois mil seguidores, algo que considero razoável pra quem não tem tema definido. Fiz três amigos, ´tomei café´ com uma meia dúzia e desfiz algumas amizades. Um ano de vida exposta - boa para quem me admira e péssima para quem não me admira tanto assim.  E descobri que as pessoas que não te admiram são as que mais visitam seu perfil. Na linha tênue que existe entre o recalque e a curiosidade.


Agora eu volto pro meu mundinho, onde nada é tão público como vinha sendo. E voltei a escolher quem pode estar na minha rotina online. 
Até, quem sabe, a próxima estação. 

sábado, 23 de maio de 2015

Sobre fábulas

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Tenho um dia pra dormir. A cada quinze dias, eu durmo por doze horas seguidas, ininterruptamente, pra tentar de alguma forma recuperar-me do cansaço físico que é trabalhar de domingo a domingo. Hoje foi esse dia. Acordei depois de muito tempo. Dormi até cansar de dormir. Despertei com esse texto na minha mente. Acho que porque sonhei com você. Sonhei com a gente. Sonhei comigo.
E naquele momento, estávamos novamente juntos dentro daquele quadro. Senti uma onda fria vindo em minha direção. E de repente, você sumia no meio de uma tempestade de vento.

Não sei por que me emocionei tanto. Não sei por que acordei. Não sei por que sonhei. Sei que senti saudades. De mim. Senti saudades daquele você que eu não pude conhecer.
Mas, acima de tudo, senti saudades daquele tempo. Tempo esse em que acreditava em tantas coisas. Como se tivesse lido algum livro que revelasse a verdade por trás dos contos de fadas, e de repente descobrisse que na verdade Cinderela foi uma escrava sexual egípcia, o que Branca de Neve não tinha nada a ver com os sete anões. Eu acordei e percebi que nunca houve nenhuma fábula entre nós. Simplesmente uma sequência de fatos ordinários, onde nada de especial aconteceu. Apenas pequenas tragédias e alegrias menores ainda, que juntas soaram como algo grande. Não. Eu fui apenas escrava daquilo que achava ser verdade. E nada era verdade.

Hoje, ao ler suas palavras novamente, percebo o quanto você prefere continuar acreditando na sua fábula e o quanto eu não preciso mais de fábulas para ser feliz. Hoje, ao saber que você nunca vai admitir a sua verdade, percebo o quanto eu adoraria ter você comigo. O quanto eu seria capaz de amar a verdade que existia por trás daquele personagem que você criou.

Sinto saudades apenas da pessoa que não conheci e temo nunca mais querer dormir. 

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Sobre 2014

Trilha sonora de 2014: clique aqui
 
 
Estou cansada. Mas é cansaço bom. Como quando a gente tem que passar o dia todo carregando pedras nas costas, mas ao final do dia tem uma rede, pés descalços, café fresco, por do sol e varanda pra descansar. O final do ano chegou e eu descanso. Antes de mais uma saga começar. Mais uma depois de tantas. Fugi pro mato quando o concreto já não me confortava, não o tanto que precisava naqueles momentos. Sou filha de Oxossi. Montanhas e trilhas me trazem a paz. Abraçar árvores é importante quando abraçar humanos te machuca. E foi na natureza, no meio de paraísos escondidos nesse país lindo que vivo, que encontrei o que buscava. Em cada momento, uma busca diferente. Em cada estrada, um sorriso renovado. Em cada pouso, um renascimento.
Fugi das mentiras, descobri as verdades. Conheci o pior lado de nós humanos, e isso foi, talvez, a experiência que mudou a minha vida. Mudou porque pela primeira vez eu aprendi. E todo aprendizado é um merecimento. Mudou porque eu aceitei que mereço.
Tive exemplos de tudo aquilo que eu não devo fazer com o próximo. Tive exemplos de tudo o que devo ser pra mim mesma. Li pouco, estudei muito, escrevi muito, lecionei muito, fotografei como nunca. Percorri o país de norte a sul, andei de trem, de balsa, de barco, de avião. Corri, chorei, fiz amigos, caí na rua e pedi demissão. Amei e odiei. Agora trabalho o perdão.
Entendi que o dinheiro compra pessoas, sentimentos e palavras. Novamente, entrei num conflito com isso. Dessa vez mudou porque eu abri mão dele e aceitei que só deixaria de sentir nojo disso quando finalmente entendesse o sentido da palavra doação. Deixei de dar, passei a doar. Quando damos, automaticamente, esperamos algo de volta. Quando doamos, apenas doamos. Substituir o ódio trabalhando puramente pelo amor. Me salvei.
Deixei pra trás um mundo encantado de excessos de egos e corri pra um mundo cinza e carente. Estou onde não existe nenhuma expectativa a não ser ajudar quem realmente precisa da minha alegria e não espera mais nada de mim a não ser o que tenho de mais precioso, o meu tempo.
E é esse mesmo tempo, abençoado tempo, que me traz a paz e a gratidão. Traz a certeza de causa e efeito, ação e reação. O tempo de voltar a amar e acreditar. O tempo de voltar a viver.

Que venha pra mim tudo aquilo que for meu por direito divino.
Feliz 2015.


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O Chauffeur de Luxo


 
Seu telefone tocava sem parar dentro daquela minúscula bolsa que ela carregava no braço direito. Nervosa e andando de um lado para o outro, focada em achar suas malas, com medo de ter perdido boa parte de sua vida. Ele havia chegado há mais ou menos uma hora. Tomava um café encostado no balcão de informações da empresa aérea, ouvindo sem muita atenção alguém que lhe contava uma história. Ouviu passos rápidos, curtos e barulhentos vindo atrás dele. Ele olhou pra direção de onde vinha o som e a viu. Pela primeira vez.
Foi tentar atender ao telefone e pedir informação ao mesmo tempo. Falou com o jovem atrás do balcão, pediu pra alguém no telefone esperar um pouco e o viu. Pela primeira vez.
“Minha bagagem não chegou com meu voo. Estou desesperada. Me ajuda, por favor!”
Feita toda verificação, a melhor notícia foi que suas malas estavam indo pra Manaus. Ela poderia preencher alguns formulários e aguardar doze horas para que o avião retornasse àquele aeroporto. Ele a viu se afastando com os formulários, sentando-se no chão, tirando seus sapatos de salto alto vermelhos e falando ao telefone. Ela o olhava e sorria.
“Se me permite, posso te ajudar.”


Em duas horas, ela embarcava num avião particular, sentada atrás da cabine do piloto, com a minúscula bolsa e sapatos nas mãos. Uma comissária de bordo a olhava de forma suspeita, mas tentava ser gentil, uma vez que a passageira de última hora havia sido convidada pelo respeitável piloto daquela empresa.
“Good morning ladies and gentlemen, this is Mr. Roberto D. …”
Em 4 horas e 22 minutos pousaram. Copiloto, comissária e passageiros desembarcaram, porém ele pediu que ela ficasse dentro do avião. Ela achou isso estranho, mas uma vez que era uma convidada, considerou fazer o que aquele charmoso Sr. D. a solicitara.
“Temos uma hora.”
Após 55 minutos, a tripulação adentrava novamente a aeronave. Sr. D. ajeitava o último botão do uniforme branco e azul e ela mexia em seu celular de cabeça baixa. Ele a olhou de canto de olho e respirou fundo. Aguardaram mais alguns minutos quando um funcionário do aeroporto avisou que sua bagagem já se encontrava naquele avião.

Já era final de tarde quando chegaram ao aeroporto de origem, desembarcaram juntos e em silêncio. Copiloto e comissária conversavam animadamente, se despediram deles e tomaram cada um o seu caminho. Eles continuavam andando lado a lado, mudos, como se já soubessem exatamente aonde iriam.

***
Ela acordou com o barulho do vento batendo na janela. Percebeu que estava só naquele quarto enorme e branco. Abriu a janela, avistou o Pão de Açúcar e sentiu o vento frio estapeando seu rosto. Aquela vista, aquela chuva fina, aquela manhã de domingo. Sentiu que alguém a olhava. Quando saiu do seu semi-transe, o viu parado na porta. Era o homem mais lindo que havia visto em sua vida.


“Quantos dias você ainda pode ficar comigo?”

Já estavam juntos desde o episódio das malas perdidas, há exatos três dias, cruzando os céus, indo de norte a sul, envolvidos num jogo perigoso e silencioso. Ficavam a sós dentro do avião em todas as paradas. E em todas elas, ele a desejou como se fosse a última parada, a última vez.
E foi então que aconteceu. Pegaram o último voo, dessa vez sentados lado a lado. Dessa vez ela segurava sua mão e o olhava ternamente. Dessa vez não haviam feito planos pra quando o avião pousasse. Dessa vez ele sentia medo.
Desembarcaram, retiraram as malas e caminharam 200 metros.
Ela deixou suas malas com ele e entrou numa lanchonete. Saiu pelo outro lado, sem olhar pra trás.

Ele a aguardou por alguns minutos, quando percebeu que ela não voltaria. Olhou para as malas e viu um bilhete preso nelas: “Obrigada por me ajudar a encontrar. A mim mesma e a minha bagagem.”.
Ela andava pelo saguão do aeroporto, esboçando um leve sorriso. Carregava uma minúscula bolsa vermelha no braço direito e calmamente mexia no celular.

domingo, 21 de setembro de 2014

Sobre o Fricote

"Pessoas com vidas interessantes não têm fricote. Elas trocam de cidade. Sentem-se em casa em qualquer lugar. Investem em projetos sem garantia. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor e compram passagens só de ida..." Martha Medeiros
 
Quantas vezes você já se deparou com esse texto ao longo de sua vida social-virtual? Inúmeras. Pois é, eu também. Mas hoje, ao me deparar com ele de novo, tudo fez sentido.
Sobre a minha imperfeição, descrita, definida e assumida, não é preciso dizer mais nada. Mas sobre a descrição, definição e aceitação de "pessoa com vida interessante", ainda há algo a se dizer. Ou escrever. Ou pelo menos se refletir.
De acordo com a autora Martha Medeiros, cujas obras me são ainda quase desconhecidas - salvo um livro de crônicas que li há um ano e alguns textos curtos com frases de efeito que circulam pela web - eu sou uma pessoa de vida quase interessante. Digo quase, pois, me referindo ao texto acima, a autora afirma que pessoas com vidas interessantes NÃO tem fricote. Sim, elas têm. E muitos. Não chamaria de “fricote” as graves crises emocionais que normalmente as pessoas de vida interessante têm. Mas, no geral, os fricotes acontecem com certa regularidade. Pessoas que não têm fricote são geralmente pessoas com vidas sem muitas mudanças, onde a segurança da rotina e o comodismo as fazem fugir de alterações significativas que lhes causam o tal “fricote”.
Explicado o único ponto que não concordo com o trecho em questão, passemos aos outros pontos aonde chega a ser irônico a semelhança com o que vivo e acredito. Trocar de cidade, sentir-se em casa em qualquer lugar. Pra quem, aos 22 anos de idade foi embora pra Nova York com 400 dólares no bolso e sem lugar pra morar, trocar de cidade seria uma brincadeira. Investir em projetos sem garantia tem sido algo que preciso tratar em terapia. Incontáveis as vezes que investi tudo o que tinha em algo que me fizeram acreditar que era bom. E claro, não eram.  O que dizer sobre as pessoas por quem me interesso? O mesmo sobre projetos sem garantia. Invisto tudo o que tenho em pessoas que me fizeram acreditar que eram boas. E claro, não eram. Há alguns dias entreguei a carta de demissão mais triste da minha vida, escrita à mão em papel sulfite branco. Com toda a dor e a certeza do mundo, me retirei de onde não cabia mais. Sem ter nada a fazer, aceitei um convite pra fazer algo que nunca fiz.


Já subi em muitos palcos e tosei o cabelo pelo menos 3 vezes esse ano.
Loucuras de amor? Só se for por alguém que exista de verdade e não um punhado de mentiras e falsidade. É hora de celebrar meu corpo e minha mente, dando à eles tudo o que precisam, para que eu, pessoa de vida interessante, possa um dia voltar a acreditar que fazer loucuras de amor não é o mesmo que investir em projetos sem garantia. Alimentação adequada para que continue perdendo apenas peso e ganhando apenas autoestima.


Agora é hora de comprar passagens.
Só de ida.
Porque eu tive um ‘fricote’.
Porque me machucaram.
Porque eu preciso começar do zero.
Porque sim.
 
 

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Sobre a (im)perfeição


Que ninguém é perfeito todos nós (pessoas conscientes da necessidade de evolução) sabemos. Cientes que todos estamos sujeitos a provas diárias, basta-nos usar de bom senso, adquirirmos certos conhecimentos necessários, nos vestirmos adequadamente e sairmos de casa pra enfrentarmos mais algumas horas de vida em contato com as pessoas. Pessoas imperfeitas, aflitas, estressadas e tentando. Tentando arduamente se adequar em padrões estabelecidos, normalmente, por outras pessoas que não sabem o que são padrões. Pessoas que se submetem a rotinas massacrantes, que transpiram, que tentam e que se alienam. Tudo em troca de algo, claro. Normalmente em troca de dinheiro. Ou poder. Ou respeito. Dificilmente encontramos hoje um número relevante de pessoas que passam por tudo isso em troca de conhecimento. O indivíduo medíocre (no sentido de mediano e comum) já carrega nos ombros a ideia de que já conhece, já sabe e em certo momento de sua vida, desiste de aprender e passa apenas a ensinar. Ensinar aquilo que o mesmo ‘acha’ que conhece ou domina. Encontramos aí a pessoa ‘perfeita’.

A pessoa perfeita não está suscetível a erros, quanto mais enganos. Deslizes, talvez. Estes, a muito custo, admitidos diante de tal sabedoria. Na maioria das vezes, quando a pessoa perfeita percebe que cometeu um ‘deslize de conduta’, a mesma primeiramente disfarça um desprezo, para logo em seguida procurar explicações científicas ou teóricas e verborrágicas de alguém que um dia escreveu alguma coisa sobre aquilo. Com a mascarada consciência tranquila, a pessoa perfeita começa a mostrar uma inexplicável alegria diante das pequenas coisas da vida, pois a pessoa perfeita ensina. Ensina como se portar, falar, rir, se alimentar, se relacionar, se expor. Ensina perfeitamente até como você deve pensar. Claro, nesse momento de sua vida, aprender algo com alguém seria apenas uma perda de tempo. As qualidades do ser perfeito são inesgotáveis. De espiritualidade elevada e pensamento leve, a pessoa perfeita tem certeza de tudo o que faz, fala ou escreve. Ela sempre sabe o que está fazendo, por ser segura e saber controlar sua impulsividade.

Os imperfeitos, que uma vez admitiram que são eternos aprendizes, cometem erros. Muitos. Milhares. Aprendem com a maioria deles. Se não aprendem, sabem que terão que enfrentar tudo de novo. Para aceitarem que podem aprender mais uma vez. Os imperfeitos se espelham nos perfeitos. Porque sabem que têm muito a aprender, os ditos e assumidos imperfeitos aproveitam cada chance de provável evolução. O imperfeito, obviamente, incomoda e atrapalha. E ele sabe disso. Ser imperfeito implica em ser diferente. E admitir isso é característica principal (e negativa) desse tipo de pessoa. Uma vez sabendo de sua posição na sociedade, o imperfeito nunca se considera bom o suficiente. Pelo menos bom o suficiente para não precisar mais aprender. Dependendo de sua variação de humor, de seu estado emocional e da segurança de sua autoestima, a aprendizagem pode ser um processo leve. Ou não. Há aqueles imperfeitos que de tão aflitos, se sentem vítimas de um meio. Mais um ponto negativo e mais um tópico na lista de melhorias necessárias. De novo, uma vez assumido, resta ao imperfeito a procura de ajuda para sua evolução e progresso. Primeiramente como ser humano e em seguida, como um ser humano lidando com seu meio.

Seja perfeito ou imperfeito, seja humano ou desumano, justo ou injusto. Seja lá o que for. Tanto um quanto o outro devem saber que qualquer indivíduo ensina melhor aquilo que mais precisa aprender. Logo, assuma o que se é. Admita o que se é. Perdoe-se do que se é. Seja grato pelo que se é.

E aja de acordo.