Desde que decidi publicar apenas um texto por mês, ganhei a tranquilidade e a segurança. A tranquilidade de não ter que me forçar a produzir e a segurança de ter trinta dias para me inspirar, ler, pesquisar e montar um texto na minha cabeça. E foi exatamente isso que aconteceu nesse último mês. Eu tinha um texto pronto. Começo, meio e fim. Título e referência.
E a vida me surpreendeu com um bloqueio imenso. Um bloqueio que me deixou quatro horas olhando para essa tela vazia. Que me fez escrever e apagar centenas de vezes o mesmo parágrafo. Que me fez até ter saudade de escrever numa máquina de escrever, só para ver o cesto de lixo cheio de papéis brancos e amassados. Sempre gostei desse cenário.
Gosto de ter no que pensar. Sinto prazer em tirar alguns minutos por dia para pensar em mais uma frase para meu texto. De procurar a melhor palavra, a melhor forma de expressar o que preciso expressar. Dizer aquilo que só sei dizer quando escrevo.
É até engraçado pensar que um texto pronto não consegue passar pelos meus dedos e entrar nessa tela. A vida e suas surpresas.
Intimamente sei que tal bloqueio se deve ao fato de que não estou pronta, ainda, para falar sobre o que preciso falar. Ainda não estou segura o suficiente para tocar num assunto tão delicado. Meu orgulho (ah, eterno orgulho) me impede de vomitar publicamente aquilo que realmente me faz mal. A hora certa chegará, e essa azia de palavras estragadas no meu estômago finalmente sairá e me aliviará.
Um sofisma triste. Estou escrevendo sobre a minha incapacidade de escrever. Estou desabafando sobre a minha incapacidade de desabafar.
É o máximo que consegui tirar de dentro desse vazio covarde que nesse momento habita em mim.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Simples Assim
E a cada vez que você vai embora, o silêncio parece ficar menos doloroso. Não por eu gostar mais do silêncio, e sim por eu conseguir ouvir minha própria voz dentro de mim. Assim como você consegue ouvir o meu silêncio. Assim como você consegue entendê-lo.
Por quê eu sempre sinto que nosso último abraço tenha talvez sido o último abraço? Talvez porque o cheiro da sua nuca, a força dos seus braços e o calor da sua pele já estejam cravados em minha alma. Talvez porque eu esteja tão suficientemente preenchida deles que já não precise mais de nenhum.
De repente você vem, preenche alguns momentos e colore meu mundo com suas cores de Almodóvar. E no mesmo ‘de repente’, você vai embora. Engraçado. Cada vez que você vai embora, sinto que te amo menos. Talvez porque todo meu corpo já está preenchido de você, dentro de mim, que nem é preciso chamar tudo isso de amor. Já não é mais nada. Apenas é.
E quem andar do meu lado, deverá saber que andará ao seu lado também. Que aceite essa condição. Que respeite tudo isso que existe dentro de mim. Que entenda esse nada, esse silêncio, essas lágrimas presas na garganta. Esses abraços que já não preciso mais dar. Que saiba que grande parte dos meus sorrisos vêm de você, que me fez entender a importância de cada sorriso meu. Que te agradeça por isso.
Já não é mais nada. Mas é eterno.
É.
Por quê eu sempre sinto que nosso último abraço tenha talvez sido o último abraço? Talvez porque o cheiro da sua nuca, a força dos seus braços e o calor da sua pele já estejam cravados em minha alma. Talvez porque eu esteja tão suficientemente preenchida deles que já não precise mais de nenhum.
De repente você vem, preenche alguns momentos e colore meu mundo com suas cores de Almodóvar. E no mesmo ‘de repente’, você vai embora. Engraçado. Cada vez que você vai embora, sinto que te amo menos. Talvez porque todo meu corpo já está preenchido de você, dentro de mim, que nem é preciso chamar tudo isso de amor. Já não é mais nada. Apenas é.
E quem andar do meu lado, deverá saber que andará ao seu lado também. Que aceite essa condição. Que respeite tudo isso que existe dentro de mim. Que entenda esse nada, esse silêncio, essas lágrimas presas na garganta. Esses abraços que já não preciso mais dar. Que saiba que grande parte dos meus sorrisos vêm de você, que me fez entender a importância de cada sorriso meu. Que te agradeça por isso.
Já não é mais nada. Mas é eterno.
É.
sábado, 30 de julho de 2011
REGRAS DA VIDA
Pra acordar: Despertador, oração, café com leite.
Pra dormir: Ban-chá, televisão ligada.
Pra tomar banho: Esfoliantes e música.
Pra parar de reclamar tanto da vida: Boa comida e livros de José Saramago.
Pra falar "puta que o pariu": Ônibus atrasado, filme com animais que falam.
Pra rir: Espelho, amigos, qualquer tipo de preconceito em pleno século 21.
Pra chorar: Greve de metrô, chuva matinal.
Pra beijar: Halls, música e barba.
Pra ouvir: Minha mãe, meu pai e Madonna.
Pra entender que a vida é uma bosta: Livros de Clarice Lispector.
Pra assistir com amigos: Nascer do sol.
Pra odiar o sistema: Propaganda de margarina.
Pra me emocionar: Despedidas.
Pra me sentir uma ignorante: Física Quântica.
Pra não me sentir sozinha: Família, Amigos, Café, centro de São Paulo.
Pra enlouquecer: Tatuagens e óculos escuros.
Pra morrer: Churrasco grego com suco grátis.
Pra viver: Comunicação, arte, cultura e informação.
Pra dormir: Ban-chá, televisão ligada.
Pra tomar banho: Esfoliantes e música.
Pra parar de reclamar tanto da vida: Boa comida e livros de José Saramago.
Pra falar "puta que o pariu": Ônibus atrasado, filme com animais que falam.
Pra rir: Espelho, amigos, qualquer tipo de preconceito em pleno século 21.
Pra chorar: Greve de metrô, chuva matinal.
Pra beijar: Halls, música e barba.
Pra ouvir: Minha mãe, meu pai e Madonna.
Pra entender que a vida é uma bosta: Livros de Clarice Lispector.
Pra assistir com amigos: Nascer do sol.
Pra odiar o sistema: Propaganda de margarina.
Pra me emocionar: Despedidas.
Pra me sentir uma ignorante: Física Quântica.
Pra não me sentir sozinha: Família, Amigos, Café, centro de São Paulo.
Pra enlouquecer: Tatuagens e óculos escuros.
Pra morrer: Churrasco grego com suco grátis.
Pra viver: Comunicação, arte, cultura e informação.
domingo, 12 de junho de 2011
Finalmente.
... e foi no meio daquelas risadas que acabam virando choro que ela entendeu que em sua vida nada seria diferente. Por que diabos agora seria diferente? E mais uma risada, e mais um grito de dor. Tudo tão desesperadamente repetitivo que até mesmo aquela dor no estômago já não doía mais. Nem aquela tremedeira assustava mais. 'É sempre assim'.
E bebeu um gole daquele café extra-forte, puro, sem nada para adoçar. Na esperança de que anularia um pouco o amargor da língua. O amargor das palavras não ditas, dos beijos não dados. O doce amargor do desejo. Do único dia do ano em que ela desejava não acordar.
‘Por que sofrer tanto assim por uma data tão comercial, materialista e fútil?’. Não, esse era um pensamento radical demais pra quem tinha o desejo de uma alma mais afetuosa e aquecida. Concluía então, que sua pressa e afobação eram as grandes culpadas de tanto amargor. Aquela pressa que a fazia se apaixonar com tanta rapidez, tão instantaneamente quanto seu café. Aquele desejo de ser amada por qualquer pessoa. Qualquer um que a endereçasse um olhar terno, e uma mão em seus ombros. Não era a pessoa que ela queria. Era simplesmente a vontade de ter alguém. A vontade de ter alguém para cuidar. A culpa da maternidade tardia. As conseqüências das escolhas da juventude.
Ela já não se cabia mais de tantas perguntas quando começou a rir de novo. Rir, rir e rir. E conseqüentemente, chorar. Olhou-se no espelho e tentou ser grata com aquilo que via. Não havia se penteado ainda e ao redor de seus olhos ainda permaneciam os restos da maquiagem da noite passada. O inchaço resultante das lágrimas e o riso doloroso se misturaram e ela gostou do resultado. Um belo rosto. Sentiu que nada precisava para se sentir mais bela. A beleza de aceitar e saber rir (mesmo que em meio a choros ridículos) que tudo está como deveria estar. Que nunca havia sido tão feliz quanto estava sendo naquele momento. Que soube ser grata por ter acabado de entender, finalmente, que a dor não é necessariamente um mal.
Adoçou o café com mais açúcar que o normal e bebeu.
E bebeu um gole daquele café extra-forte, puro, sem nada para adoçar. Na esperança de que anularia um pouco o amargor da língua. O amargor das palavras não ditas, dos beijos não dados. O doce amargor do desejo. Do único dia do ano em que ela desejava não acordar.
‘Por que sofrer tanto assim por uma data tão comercial, materialista e fútil?’. Não, esse era um pensamento radical demais pra quem tinha o desejo de uma alma mais afetuosa e aquecida. Concluía então, que sua pressa e afobação eram as grandes culpadas de tanto amargor. Aquela pressa que a fazia se apaixonar com tanta rapidez, tão instantaneamente quanto seu café. Aquele desejo de ser amada por qualquer pessoa. Qualquer um que a endereçasse um olhar terno, e uma mão em seus ombros. Não era a pessoa que ela queria. Era simplesmente a vontade de ter alguém. A vontade de ter alguém para cuidar. A culpa da maternidade tardia. As conseqüências das escolhas da juventude.
Ela já não se cabia mais de tantas perguntas quando começou a rir de novo. Rir, rir e rir. E conseqüentemente, chorar. Olhou-se no espelho e tentou ser grata com aquilo que via. Não havia se penteado ainda e ao redor de seus olhos ainda permaneciam os restos da maquiagem da noite passada. O inchaço resultante das lágrimas e o riso doloroso se misturaram e ela gostou do resultado. Um belo rosto. Sentiu que nada precisava para se sentir mais bela. A beleza de aceitar e saber rir (mesmo que em meio a choros ridículos) que tudo está como deveria estar. Que nunca havia sido tão feliz quanto estava sendo naquele momento. Que soube ser grata por ter acabado de entender, finalmente, que a dor não é necessariamente um mal.
Adoçou o café com mais açúcar que o normal e bebeu.
terça-feira, 17 de maio de 2011
O Outono
Quando tudo parece estar se encaixando, entrando no lugar, montando aquilo que chamo intimamente de ‘felicidade equilibrada’, tudo, tudo isso parece desmoronar deliciosamente como uma cascata de chocolate desmorona aos olhos de uma criança pobre.
É o eterno querer aquilo que não se pode ter. E quando se tem, não é o suficiente. É a preguiça de viver que faz com que me proteja embaixo de meu teto, observando as marcas nas paredes de uma época em que não sabia o que era não-viver.
É a eterna culpa na madrugada fria, depois que se tenta viver. Por quê parece tudo tão errado? Por quê tudo que quero é tão errado? Eis a resposta impossível. A razão dessa culpa infantil, desse arrependimento de uma puberdade guardada, socada no fundo da alma, não-vivida. É a sensação de que vivi, mas erroneamente. Se tento seguir caminhos retos, não sou eu. Eu sigo caminhos tortos, e me culpo. Não achei que viver fôsse tão parecido com o não-viver, que por sinal, não tem nada a ver com morrer. É apenas existir.
Então eu existo. Eu faço parte de uma sociedade que me cobra pelo quase impossível. E eu tento arduamente me adaptar, não pedir, não culpar, não cobrar, não julgar. E em troca, eu me culpo, eu me cobro, eu me julgo.
Chegar à conclusão de que, nesse momento, eu apenas existo me deixa mais aliviada. Quem apenas existe não sente. Apenas existe, preenche espaços, cumpre os deveres de um cidadão e respeita as instituições. É hora de apenas seguir o contrato social.
Volto a viver sim, seja nessa vida ou numa próxima.
É o eterno querer aquilo que não se pode ter. E quando se tem, não é o suficiente. É a preguiça de viver que faz com que me proteja embaixo de meu teto, observando as marcas nas paredes de uma época em que não sabia o que era não-viver.
É a eterna culpa na madrugada fria, depois que se tenta viver. Por quê parece tudo tão errado? Por quê tudo que quero é tão errado? Eis a resposta impossível. A razão dessa culpa infantil, desse arrependimento de uma puberdade guardada, socada no fundo da alma, não-vivida. É a sensação de que vivi, mas erroneamente. Se tento seguir caminhos retos, não sou eu. Eu sigo caminhos tortos, e me culpo. Não achei que viver fôsse tão parecido com o não-viver, que por sinal, não tem nada a ver com morrer. É apenas existir.
Então eu existo. Eu faço parte de uma sociedade que me cobra pelo quase impossível. E eu tento arduamente me adaptar, não pedir, não culpar, não cobrar, não julgar. E em troca, eu me culpo, eu me cobro, eu me julgo.
Chegar à conclusão de que, nesse momento, eu apenas existo me deixa mais aliviada. Quem apenas existe não sente. Apenas existe, preenche espaços, cumpre os deveres de um cidadão e respeita as instituições. É hora de apenas seguir o contrato social.
Volto a viver sim, seja nessa vida ou numa próxima.
domingo, 24 de abril de 2011
Uma carta de amor
Eu te odeio. Mas eu te odeio tanto, tanto, que esse ódio não me deixa. E a cada nova experiência amorosa que vivo, esse ódio aumenta. E mais, e mais.
Eu te odeio por você ter sido o melhor namorado pra mim. Eu te odeio por você ainda ser meu melhor amigo. Eu odeio o seu jeito de dançar, de beijar, de fazer amor. Eu odeio me lembrar da forma com que você me olhava de manhã, quando acordava e fazia uma piada. De como você me fazia cócegas só pra me ver nervosa. De como você adorava cozinhar seus risotos de pêra. Odeio o seu cheiro no meu travesseiro, o seu cheiro encravado na minha pele. Simplesmente odeio saber o que é cinema, enquadramento, atuação, direção, fotografia, trilha sonora, Truffaut, Bergman, Fassbinder, Bertolucci. Pois até te conhecer, Titanic, Matrix e Cidade dos Anjos eram as melhores coisas que tinha visto. Eu odeio me lembrar do seu jeito lindo quando tocava na Loca com seus fones de ouvido e seu sorriso cansado. Até mesmo Madonna não é a mesma. Ela era erótica, e pronto. Ela era pop, e só. Não... Depois de você, Madonna é uma mulher complicada e cheia de influências de arte pura. Barbra Streisand cantava bem antes de conhecer Aimee Mann.
Era simples. Minha vida era simples. E você veio pra dificultar.
Eu te odeio. Odeio porque eu acreditava no amor. Naquele mais simples, sexualmente submisso e manipulativo. Você me convenceu que era melhor não sonhar com uma casa de cercas brancas e sofás cor de marfim. Que isso era a representação mais hipócrita da classe média. Eu acreditava nas instituições, no PSDB, no Criança Esperança e na Rede Globo. Sim, eu tinha fé em coisas fáceis. Em coisas que todo mundo têm fé.
Por que você me ensinou História da Arte? Por que você me ensinou Historia do Cinema? Por que discutimos filosofia por tantos anos? Não queria saber o que é epistemologia e alter-ego.
Eu não sabia e era feliz.
Odeio passar por lugares onde sentamos por tardes inteiras roteirizando a vida das pessoas que passavam por nós. Odeio reler os roteiros que fizemos pros filmes que nunca produzimos, pras sketches que nunca apresentamos e pros vídeo clipes que nunca foram ao ar.
Odeio-te mais ainda por você ter me amado e me admirado. Sem jogos, sem simulações, sem mentiras brancas, sem esconder o passado, sem hipocrisia. Por você ter visto coisas belas por debaixo da minha capa de gordura. Por você me amar mesmo sabendo quantas calcinhas minhas estão furadas, e fazer piada de todas. Por você ter me provado o quanto eu merecia as noites de luxúria nos hotéis baratos da Rego Freitas e nos bares engordurados da Vieira de Carvalho. O quanto eu merecia conhecer pessoas de verdade, e que só nesses lugares as encontramos. O quanto precisava tratar pedintes, atendentes, moradores de rua, travestis, michês e putas, como se estivesse tratando comigo mesma. O quanto é importante enxergar o próximo que realmente precisa da minha atenção. Era tudo mais simples e menos sofredor quando eu os ignorava e tinha medo deles.Tudo.
Odeio-te por ter me deixado sozinha, com tudo isso dentro de mim. Odeio como isso virou motivo de fuga pra todos os homens que encontro. E eu odeio ter que te dizer tudo isso aqui, nesse email. Odeio a falta de coragem de ter te dito isso olhando em seus olhos, pois odeio seus olhos críticos.
Odeio você por você se odiar tanto. Tanto a ponto de achar que não merecia meu amor.
Odeio nosso amor pelo ódio.
Amo nosso ódio pelo amor.
E me odeio mais ainda por não ter entendido direito o que era seu ódio. Que não tinha nada a ver comigo, que você nunca havia me odiado.
Você só odiava o meu amor por você. Que era pequeno, egoísta, orgulhoso e vaidoso. E você, que havia me oferecido um relacionamento verdadeiro, acabou conhecendo alguém que só amava o amor que sentia por você. E nunca havia amado você de verdade. Não como você me amou. E eu me odeio por isso. Muito mais do que você.
Published on November 11, 2009.
Eu te odeio por você ter sido o melhor namorado pra mim. Eu te odeio por você ainda ser meu melhor amigo. Eu odeio o seu jeito de dançar, de beijar, de fazer amor. Eu odeio me lembrar da forma com que você me olhava de manhã, quando acordava e fazia uma piada. De como você me fazia cócegas só pra me ver nervosa. De como você adorava cozinhar seus risotos de pêra. Odeio o seu cheiro no meu travesseiro, o seu cheiro encravado na minha pele. Simplesmente odeio saber o que é cinema, enquadramento, atuação, direção, fotografia, trilha sonora, Truffaut, Bergman, Fassbinder, Bertolucci. Pois até te conhecer, Titanic, Matrix e Cidade dos Anjos eram as melhores coisas que tinha visto. Eu odeio me lembrar do seu jeito lindo quando tocava na Loca com seus fones de ouvido e seu sorriso cansado. Até mesmo Madonna não é a mesma. Ela era erótica, e pronto. Ela era pop, e só. Não... Depois de você, Madonna é uma mulher complicada e cheia de influências de arte pura. Barbra Streisand cantava bem antes de conhecer Aimee Mann.
Era simples. Minha vida era simples. E você veio pra dificultar.
Eu te odeio. Odeio porque eu acreditava no amor. Naquele mais simples, sexualmente submisso e manipulativo. Você me convenceu que era melhor não sonhar com uma casa de cercas brancas e sofás cor de marfim. Que isso era a representação mais hipócrita da classe média. Eu acreditava nas instituições, no PSDB, no Criança Esperança e na Rede Globo. Sim, eu tinha fé em coisas fáceis. Em coisas que todo mundo têm fé.
Por que você me ensinou História da Arte? Por que você me ensinou Historia do Cinema? Por que discutimos filosofia por tantos anos? Não queria saber o que é epistemologia e alter-ego.
Eu não sabia e era feliz.
Odeio passar por lugares onde sentamos por tardes inteiras roteirizando a vida das pessoas que passavam por nós. Odeio reler os roteiros que fizemos pros filmes que nunca produzimos, pras sketches que nunca apresentamos e pros vídeo clipes que nunca foram ao ar.
Odeio-te mais ainda por você ter me amado e me admirado. Sem jogos, sem simulações, sem mentiras brancas, sem esconder o passado, sem hipocrisia. Por você ter visto coisas belas por debaixo da minha capa de gordura. Por você me amar mesmo sabendo quantas calcinhas minhas estão furadas, e fazer piada de todas. Por você ter me provado o quanto eu merecia as noites de luxúria nos hotéis baratos da Rego Freitas e nos bares engordurados da Vieira de Carvalho. O quanto eu merecia conhecer pessoas de verdade, e que só nesses lugares as encontramos. O quanto precisava tratar pedintes, atendentes, moradores de rua, travestis, michês e putas, como se estivesse tratando comigo mesma. O quanto é importante enxergar o próximo que realmente precisa da minha atenção. Era tudo mais simples e menos sofredor quando eu os ignorava e tinha medo deles.Tudo.
Odeio-te por ter me deixado sozinha, com tudo isso dentro de mim. Odeio como isso virou motivo de fuga pra todos os homens que encontro. E eu odeio ter que te dizer tudo isso aqui, nesse email. Odeio a falta de coragem de ter te dito isso olhando em seus olhos, pois odeio seus olhos críticos.
Odeio você por você se odiar tanto. Tanto a ponto de achar que não merecia meu amor.
Odeio nosso amor pelo ódio.
Amo nosso ódio pelo amor.
E me odeio mais ainda por não ter entendido direito o que era seu ódio. Que não tinha nada a ver comigo, que você nunca havia me odiado.
Você só odiava o meu amor por você. Que era pequeno, egoísta, orgulhoso e vaidoso. E você, que havia me oferecido um relacionamento verdadeiro, acabou conhecendo alguém que só amava o amor que sentia por você. E nunca havia amado você de verdade. Não como você me amou. E eu me odeio por isso. Muito mais do que você.
Published on November 11, 2009.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Experienciando, experimentando, expiando, aprendendo e mais uma vez, concluindo
Eu consigo viver sem esmalte nas unhas. Dói os dedos no começo, faz falta, parece que estou nua. Mas aprendi que não preciso deles pra viver, e ninguém gosta mais ou menos de mim por causa disso.
Ter amigos é maravilhoso. Mas provei que ficar sozinha é sempre uma boa solução pra quem está eternamente em busca de algo. Quem gosta da minha companhia e gosta de mim entende. Continuo amando todos da mesma forma. A presença é constante em meus pensamentos, minhas memórias e orações.
Internet, redes sociais, ultra-exposição são divertidos. Mas não são essenciais pra minha sobrevivência. Vicia, alucina. Informa pouco e enerva muito. Desnecessário contar que acordou, comeu, peidou, trabalhou e dormiu todos os dias.
Ver TV é desnecessário também. Principalmente tv aberta. Filmes, documentários, musicais agregam cultura e informação. Melhor que o Datena pedindo pena de morte e te fazendo ter ódio de gente que você nem conhece. Melhor que novela brega com final feliz. Futebol e F1 continuam sendo minhas únicas horas de alienação, mas sem fanatismo, sem sofrimentos, sem discussões. Há duas semanas não vejo praticamente nada. Li 4 livros e dormi bem melhor.
Ter fé é bem melhor do que não ter. Melhora sua vida em todos os aspectos. Acreditar que existe algo superior e que você pode falar sozinho no seu quarto com seus amiguinhos transparentes não significa que você é louco.
Ter amigos íntimos de classe social muito acima de você também não é tão agradável. No final, você sempre terá que inventar alguma desculpa pra não ir aos eventos, pois não tem dinheiro suficiente. E lembre-se, você ainda corre o risco de ser a ‘amiga pobre que vai estragar as viagens dos ricos porque não tem dinheiro pra viajar junto’. Faz mal pra autoestima, pros bolsos e pro ego. Por favor, entendam: não tenho raiva de quem tem mais dinheiro que eu. Apenas fazem parte de um universo diferente do meu. E sempre convivo muito bem com todos ao meu redor, de forma respeitosa e carinhosa.
Perdi muitos, muitos quilos e continuo solteira, temporariamente celibata e em busca de um amor. Pois é. Ser gorda nunca foi o problema. O problema é a falta de homem mesmo. Homens de atitude, solteiros, saudáveis e espirituosos são, na maioria das vezes, homossexuais.
Já não aceito ser amante há um bom tempo. Concluí que ser amante é falta de amor-próprio e só acumula energias negativas.
Praticar exercícios físicos é bom, é maravilhoso. Sem excessos, sem obrigação. Melhor e mais barato que terapia.
Provei que posso viver sem álcool no organismo. Ainda luto contra a necessidade de nicotina, mas sei que já consigo viver sem ela.
Ser loira é legal. Porém, não significa que vão gostar mais ou menos de você por isso. Há homens que só procuram por mulheres loiras (muito disso é culpa de Hollywood). Experimentei ser loira por 2 meses. Não fiquei mais rica, não desencalhei e nem fiquei mais inteligente. Ao contrário, meu cabelo ressecou, gastei mais com produtos específicos e salões de beleza.
Concluo que não é dificil ser careta, fisica e espiritualmente saudável sem deixar de ser autêntica. Melhora sua conta bancária e seu nível vibratório.
Ter amigos é maravilhoso. Mas provei que ficar sozinha é sempre uma boa solução pra quem está eternamente em busca de algo. Quem gosta da minha companhia e gosta de mim entende. Continuo amando todos da mesma forma. A presença é constante em meus pensamentos, minhas memórias e orações.
Internet, redes sociais, ultra-exposição são divertidos. Mas não são essenciais pra minha sobrevivência. Vicia, alucina. Informa pouco e enerva muito. Desnecessário contar que acordou, comeu, peidou, trabalhou e dormiu todos os dias.
Ver TV é desnecessário também. Principalmente tv aberta. Filmes, documentários, musicais agregam cultura e informação. Melhor que o Datena pedindo pena de morte e te fazendo ter ódio de gente que você nem conhece. Melhor que novela brega com final feliz. Futebol e F1 continuam sendo minhas únicas horas de alienação, mas sem fanatismo, sem sofrimentos, sem discussões. Há duas semanas não vejo praticamente nada. Li 4 livros e dormi bem melhor.
Ter fé é bem melhor do que não ter. Melhora sua vida em todos os aspectos. Acreditar que existe algo superior e que você pode falar sozinho no seu quarto com seus amiguinhos transparentes não significa que você é louco.
Ter amigos íntimos de classe social muito acima de você também não é tão agradável. No final, você sempre terá que inventar alguma desculpa pra não ir aos eventos, pois não tem dinheiro suficiente. E lembre-se, você ainda corre o risco de ser a ‘amiga pobre que vai estragar as viagens dos ricos porque não tem dinheiro pra viajar junto’. Faz mal pra autoestima, pros bolsos e pro ego. Por favor, entendam: não tenho raiva de quem tem mais dinheiro que eu. Apenas fazem parte de um universo diferente do meu. E sempre convivo muito bem com todos ao meu redor, de forma respeitosa e carinhosa.
Perdi muitos, muitos quilos e continuo solteira, temporariamente celibata e em busca de um amor. Pois é. Ser gorda nunca foi o problema. O problema é a falta de homem mesmo. Homens de atitude, solteiros, saudáveis e espirituosos são, na maioria das vezes, homossexuais.
Já não aceito ser amante há um bom tempo. Concluí que ser amante é falta de amor-próprio e só acumula energias negativas.
Praticar exercícios físicos é bom, é maravilhoso. Sem excessos, sem obrigação. Melhor e mais barato que terapia.
Provei que posso viver sem álcool no organismo. Ainda luto contra a necessidade de nicotina, mas sei que já consigo viver sem ela.
Ser loira é legal. Porém, não significa que vão gostar mais ou menos de você por isso. Há homens que só procuram por mulheres loiras (muito disso é culpa de Hollywood). Experimentei ser loira por 2 meses. Não fiquei mais rica, não desencalhei e nem fiquei mais inteligente. Ao contrário, meu cabelo ressecou, gastei mais com produtos específicos e salões de beleza.
Concluo que não é dificil ser careta, fisica e espiritualmente saudável sem deixar de ser autêntica. Melhora sua conta bancária e seu nível vibratório.
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